quarta-feira, 27 de maio de 2015

sem título

da passagem do tempo 
uma janela cujo vidro se suja
sem limpeza possível
será um espelho.

sexta-feira, 22 de maio de 2015

quinta-feira, 14 de maio de 2015

sem título

o gosto ácido dos teus lábios
é a alma que lateja
no beijo húmido do teu interior
que condena o diafragma
a trabalhos forçados
inflama a pele estelar de calor

quinta-feira, 7 de maio de 2015

sem título

pertenço àquelas alcateias
que uivam às estrelas cadentes.
sou um dos estilhaços
das constelações humanas
expulsas do universo.

há sempre lugar para nós.

à falta de um planeta habitável
nas proximidades do tempo disponível,
haverá  um cometa
a parar na estação sem hora marcada.

segunda-feira, 4 de maio de 2015

sem título

caminhaste-me 

na pele uma vereda
na alma a lama
moldados sulcos
pelo gume de uma lâmina

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

- sem título -

uma pluma incandescente
sobre a pele e um desejo de sempre
um tecido macio no interior 
do teu corpo 
saliva 
sangue
odor a corpo e alma
de carne e osso 
intacto apenas o espaço vazio 
da escuridão entre os corpos
um dedo molhado nos lábios 
e um gemido com a cara 
na superfície da parede fria

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

sem título

esculpir o dorso de um cavalo
nas palmas da mão de um verso 
escrito a tinta da chuva
que cai no sentido contrário ao dos ponteiros do relógio
e dá horas incandescentes
ah heróis do tempo antes da palavra
que da massa das estrelas já faziam poesia.