o meu gato preto
o lua-cheia
à meia-noite acende-se
azul como o dorso de uma alcateia
de corvos no cio.
quinta-feira, 23 de março de 2017
sem título
quarta-feira, 22 de março de 2017
sem título
a tua voz
incandescente libertou em lava
o meu nome
que ao arrefecer
no meu peito em vez de basalto
fez um coração.
quinta-feira, 26 de janeiro de 2017
sem título
há coisas que nunca mudam
os teus olhos
a tua voz
as tuas mãos em concha
dentro do meu peito
berço que acende o meu coração
vês essa incandescência se apagares as luzes em volta.
os teus olhos
a tua voz
as tuas mãos em concha
dentro do meu peito
berço que acende o meu coração
vês essa incandescência se apagares as luzes em volta.
quinta-feira, 29 de dezembro de 2016
sexta-feira, 9 de dezembro de 2016
sem título
incandescente
o lume na noite
o mar murmura palavras
com a sua morte
os seus abismos
na areia
quase vidro
labaredas
tão distantes que são estrelas
cuja gravidade não foi suficiente
para prender a luz
fúria
do negro manto
rasgado pela palidez
do astro morto
que nas ondas
é espectro.
quarta-feira, 4 de maio de 2016
sem título
um dique que contenha
um sismo que o rebente
uma onda que os liberte
o sangue e alma
e em torrente sejam
juntos
lama
um sismo que o rebente
uma onda que os liberte
o sangue e alma
e em torrente sejam
juntos
lama
retórica dos destroços
nem a retórica de Tísias venceria
o corvo que se banqueteasse no coração partido
dos amantes feridos.
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